FUI PRA BRASILIA! OU NÃO?
Bora pro texto...
E vamos pra mais uma viagem no tempo.O ano era 1989 ou 1990, já nem sei ao certo, a cidade é Toledo, lá no Oestão do Paraná, e estava eu com meus 16/17 anos. Cursava o 3° ano do curso Técnico em Mecânica, que era integrado ao 2° grau, atual ensino médio.
Com a orientação de um dos professores projetamos e montamos uma maquete em escala de uma usina de reciclagem de lixo. Pô Elson, nada demais né? Mas olhe de novo pro ano que isso se passa, naqueles tempos era uma ideia inovadora. Reciclagem era algo que pouco ou nada se falava ainda, não existiam nem esses lixeiros de cores diferentes conforme os materiais a serem descartados, ia tudo pro mesmo balaio.
E cara, não era uma maquetezinha de isopor com papelão, o negócio era de ferro mesmo e mais, funcionava. Ela simulava exatamente como uma usina deveria funcionar. A esteira de separação rodava, e tinha até um triturador industrial com lâminas que trituravam mesmo.
Então, nosso projeto foi selecionado para uma feira científica em Brasília, e eu fui um dos dois alunos escolhidos pra ir apresentar esse projeto. Putz, imagina um piá de josta de uma cidadezinha lá do interiorzão, pé vermeio, de repente tem uma oportunidade dessas. Nossa!
Eu fiquei em êxtase por dias, aliás, toda a nossa turma (começamos com 44, nos formamos em 11) também estava. Tínhamos um projeto fantástico e inovador para a época e íamos apresentar esse projeto lá em Brasília, capital do país, a gente ia arrasar cara!
A viagem iria ser financiada por algum tipo de projeto do Governo do Estado, então estávamos de boas, comecei a preparar as coisas e fui comprar até uma mala, e caramba, era um malão. Pra ser sincero, por muito tempo fiquei pensando porque havia comprado uma mala tão grande, não tenho a menor ideia do que passava na minha cabeça na hora da compra, mas também né, não era acostumado a viajar, não tinha a mínima noção. Pelo menos ela me serviu por uns par de anos pra guardar umas tranqueiras.
Elson...Volta!
Então, esperamos, esperamos e esperamos, aí finalmente no último dia possível, recebemos a notícia: as passagens não viriam. Cara, que frustração. Chorei. Chorei. E chorei de novo. Naquele dia perdemos uma oportunidade que não sabemos aonde poderia ter nos levado.
E aquele projeto foi então abandonado e não lembro nem o que foi feito com a maquete. A turma se formou, cada um foi por um caminho e a vida seguiu. As vezes algumas coisas na nossa vida podem efetivamente mudar nosso rumo. Ou não.
Mas uma dúvida me acompanha até hoje e a qual, por mais que eu pense sobre, não consigo achar a resposta.
Por que diabos comprei uma mala tão grande?
🏃💨E fui...
*Imagem reprodução/internet
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