O DESAFIO DO ENSINO SUPERIOR
Muitas instituições de ensino superior pregam a adoção de novas abordagens em sala de aula, mas ainda são poucas as que efetivamente as praticam. No fundo permanecem com foco na utilização do modelo tradicional de aulas expositivas, que já não é suficiente para atrair a atenção e atender a demanda das gerações atuais, que descartam rapidamente o que não lhes interessa. Esse modelo em si tem se mostrado cada vez mais cansativo para a maioria dos estudantes, gerando desinteresse e inclusive abandono dos estudos. O grande problema ocorre quando as inovações propostas são apenas rótulos para chamar a atenção.
Conceitos, métodos, fundamentos e recursos que eram aplicáveis a poucas décadas atrás, hoje simplesmente deixaram de ser úteis ou válidos. No passado os professores eram tidos como os exclusivos donos do saber, mas isso mudou radicalmente com o advento da evolução tecnológica ao longo dos últimos anos. O acesso à informação ficou fácil, pois enquanto o professor fala, os estudantes conseguem instantaneamente checar se aquilo procede ou não. Portanto o processo de ensino precisa seguir um outro roteiro.
O desafio engloba entender como estruturar aulas que atraiam o interesse e a atenção dos estudantes e consequentemente identificar fatores motivacionais que os façam se sentirem instigados a participarem ativamente na busca das informações e assim transformem isso em conhecimento.
Estamos numa época em que o estudar não se resume mais a concluir o ensino médio ou ensino superior. Para não ficar obsoleto, há a necessidade de estudar durante a vida toda.
É urgente a necessidade em atualizar a formação dos professores, para que possam utilizar os recursos e metodologias disponíveis da melhor maneira, visando e permitindo a formação de profissionais com as habilidades e competências que o mercado requer. Para implantar uma nova metodologia é preciso dialogar os saberes com os envolvidos, permitir a construção das partes que ligam os conhecimentos. É também necessária uma mudança de postura do professor, para que abnegue de ser um simples repassador de conteúdos e passe a ser um mediador no processo de ensino e da aprendizagem. Assim, o professor deixa de exercer o papel de uma das pontas, para ser o meio facilitador no processo, proporcionando um ambiente onde se mescle o modelo tradicional de exposição das aulas com a utilização de modelos complementares, por meio dos quais os estudantes passem a ser participantes ativos, possibilitando o diálogo, o questionamento, a prática, o levantamento de dúvidas e tantas outras questões que efetivamente permitam que os estudantes pesquisem as soluções possíveis e viáveis diante das situações apresentadas, cabendo ao professor o papel de orientador, justamente para fazer o elo entre a teoria e a prática.
O modelo de ensino tradicional inibe o testar, o errar, quando na realidade as maiores invenções da história passaram por inúmeras tentativas e erros, antes de se chegar ao resultado proposto.
É importante o investimento institucional para incentivar professores para que busquem uma formação mais alinhada ao mercado, bem como investir em capacitações, com orientações e treinamentos para que os professores mais alinhados ao modelo tradicional possam ser mais flexíveis, acessíveis, dinâmicos, criativos e inovadores, além é claro, prepará-los para utilizarem as novas tecnologias para atrair e reter a atenção dos estudantes em sala de aula. Portanto, propiciar formação adequada e disponibilizar meios e recursos para tornar o ambiente escolar mais atrativo é o grande desafio para atrair a geração atual para as salas de aula, sejam presenciais ou à distância.
Já ensinava Paulo Freire: a teoria sem a prática vira “verbalismo”, assim como a prática sem teoria, vira ativismo. No entanto, quando se une a prática com a teoria, tem-se a práxis, a ação criadora e modificadora da realidade.
É fundamental ainda investir no ensino prático, pois é inaceitável que um estudante passe 4 anos em sala de aula e ao final só tenha visto teoria, com quase ou nenhuma prática. Isso torna o profissional obsoleto para a vida profissional. Há algum tempo atrás li um livro de um professor da área de educação que admiro muito, que é o Prof. Jose Moran, e ele cita o exemplo de que para aprender a dirigir um veículo, é preciso a teoria junto com a prática, pois um complementa o outro. Não adianta somente ler e estudar como dirigir um carro, pois na hora que você liga a chave, a coisa é diferente, existem sensações, percepções e reações que só a prática pode proporcionar. O experimentar e o vivenciar as mais diversas situações é que constituirão a base para se tornar um bom motorista e hoje em muitos cursos superiores continuamos ensinando apenas com aulas expositivas e leitura, sem nenhuma prática.
Estamos formando teóricos que tem muita dificuldade em atuar em um ambiente empresarial.
* Imagens: reprodução da internet
**Texto originalmente publicado no meu perfil do LinkedIn: Wilson Kunze
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