TRANSPLANTE SALVA VIDAS - PARTE 1
Você sabia que um único doador de órgãos e tecidos pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de uma dezena de pessoas?
A quantidade de pacientes beneficiados por um único doador pode variar devido a uma série de fatores, como as condições clínicas do paciente e a região do país onde ocorre a "disponibilidade", além de questões operacionais da doação e do transplante em si.
Conforme o conjunto desses aspectos a doação pode ser de todos os órgãos e tecidos ou de apenas alguns deles. Em certas regiões não se transplantam pele e ossos, por exemplo, e como a família do doador pode decidir quais órgãos doar, há casos em que ela decide pela doação de somente alguns órgãos.
Mas um único doador com morte encefálica pode chegar a beneficiar cerca de 10 pessoas, com a doação do coração, fígado, rins, pâncreas, pulmões, pele, ossos, córneas e medula óssea.
Para ser um doador de órgãos não é preciso fazer nenhum cadastro nem deixar nada por escrito, mas é fundamental avisar a família sobre o seu desejo de ser um doador, pois conforme a legislação brasileira, a doação de órgãos e tecidos é consentida pela família depois da constatação médica do falecimento (morte cerebral).
As principais causas da recusa familiar na doação de órgãos e tecidos no Brasil são:
👉A falta de informação da sociedade em geral;
👉A dificuldade de compreensão da morte encefálica;
👉A abordagem das famílias para doação feita de forma inadequada;
👉O desconhecimento do desejo de doação do falecido em vida;
👉A desconfiança sobre a seriedade do processo de transplante;
👉O desejo de manter a integridade do corpo do doador;
👉Crenças culturais e religiosas;
👉Recusa da doação pelo próprio falecido, expresso quando ainda em vida.
Vivo pessoalmente a expectativa por um transplante cardíaco há mais de 20 anos, e depois de momentos distintos em termos de gravidade e de entradas e saídas da fila, ao que tudo indica, minha hora está cada vez mais próxima.
Durante esse período acompanhei a evolução dos procedimentos e também do senso comum a respeito do assunto, mas vejo que ainda há um longo caminho a percorrer.
Em algumas situações, o transplante de órgãos é a única esperança de vida e em outras é a oportunidade de uma melhor qualidade de vida pro paciente.
O DOADOR VIVO!
▶️ Quem é: Qualquer pessoa saudável e legalmente capaz que concorde com a doação, desde que não prejudique a sua própria saúde;
▶️ O que ele pode doar: O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado ou do pulmão e parte da medula óssea;
▶️ Quem pode ser: Parentes até o quarto grau (avós, pais, filhos, irmãos, tios, sobrinhos, primos e netos) e cônjuges do receptor. Com exceção da doação de medula óssea, pessoas fora desse círculo precisam de autorização judicial para doar;
▶️ Riscos para o doador vivo: Está sujeito aos riscos normais de se submeter a uma cirurgia com anestesia geral.
Vamos ver agora com um pouco mais de detalhes as particularidades para os principais órgãos na doação e transplante oriundo de um doador vivo:
➡️ Rim: Nossa função renal pode ser realizada satisfatoriamente por um único rim, tanto no doador como no receptor, sem prejuízos à saúde. A hipertensão e o diabetes são as principais causas da perda de função desse órgão;
➡️ Fígado: Apenas uma parte desse órgão é retirada e transplantada, e devido à sua enorme capacidade de regeneração, ele retoma seu tamanho original após a cirurgia. Ele precisa ser substituído quando apresenta falência hepática devido à problemas agudos como a hepatite fulminante, por problemas crônicos como a cirrose, ou até mesmo por tumores na região;
➡️ Pulmão: Normalmente feito de um doador adulto para um receptor criança, ou de dois doadores adultos para um só receptor, um pequeno pedaço do pulmão é retirado. Apesar de ele não se regenerar, o doador consegue viver normalmente após a doação. É indicado em casos de doenças terminais, geradas por fibroses, enfisemas e doenças obstrutivas crônicas;
➡️ Medula óssea: A coleta das células para o transplante é feita por meio de uma pequena cirurgia sob anestesia geral, onde são realizadas punções com agulhas nos ossos da bacia e aspirado parte da medula. Recomendado para pacientes com anemia aplástica, leucemias, linfomas e mieloma múltiplo.
A compatibilidade sanguínea, que é um fator primordial, o histórico clínico e as doenças prévias devem ser analisadas, além de testes específicos para selecionar o doador que pode apresentar a maior chance de sucesso do procedimento.
Ressalto que a doação em vida é um ato estritamente voluntário do doador, sem qualquer possibilidade de comércio.
O DOADOR MORTO!
Você sabia que um só doador falecido consegue beneficiar várias pessoas que estão aguardando por um órgão ou tecido?
Nos casos de morte cardíaca, ou seja, quando o coração para de bater, são aproveitados somente os tecidos (pele, córnea, ossos, etc) e não é possível transplantar os órgãos.
Já o doador em morte encefálica (ou cerebral) pode doar tanto os órgãos quanto os tecidos, pois apesar da ausência de todas as funções neurológicas, todos os outros órgãos ainda funcionam.
A morte encefálica é causada por um acidente vascular cerebral (AVC) ou por um traumatismo craniano (geralmente causado por acidente) e é diagnosticada em pacientes hospitalizados que estejam respirando com ajuda de aparelhos. Pessoas que morrem fora do hospital não se enquadram nesse tipo de doação.
Facilmente confundido com o coma, a morte encefálica é uma condição completamente diferente. O coma é reversível e a pessoa ainda pode acordar, mas um paciente com morte encefálica está em um estado permanente e irreversível, não há possibilidade nenhuma de acordar novamente.
Regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina, o diagnóstico de morte encefálica no Brasil é feito por exames clínicos repetidos em determinados intervalos, por médicos desvinculados da equipe de transplantes, ou seja, a equipe que constata o óbito não faz parte daquela responsável pela retirada dos órgãos.
O protocolo ainda exige exames complementares, como o eletroencefalograma, que mede a atividade cerebral, e a angiografia cerebral, que verifica o padrão de fluxo sanguíneo no cérebro.
Enquanto isso ocorre, o possível doador fica ligado a um ventilador, máquina que permite levar oxigênio para os órgãos, inclusive para o coração – o que possibilita que os batimentos cardíacos continuem –, de forma que todos eles permaneçam viáveis para doação.
Após a comprovação da morte e da autorização para a doação, a retirada dos órgãos é realizada em um centro cirúrgico como qualquer outra cirurgia.
Apesar do Brasil ter avançado nesse cenário, ainda temos um número expressivo de indivíduos aguardando nas filas de transplantes, então cada doador conquistado é uma vitória.
*Continua….
💓Seja um doador, promova a vida, avise sua família! Bora?
🏃💨E fuiii...
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Fontes pesquisadas:
https://www.davita.com.br/servicos-medicos/davita-saude/orgaos/
https://drauziovarella.uol.com.br/saude-publica/6-perguntas-e-respostas-sobre-doacao-de-orgaos/amp/
*Imagem reprodução/internet
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